terça-feira, 22 de março de 2016

Lembrete



Não matar um leão por dia. Domá-lo sem chicotes, conectando. Olhá-lo, farejá-lo, mostrar dentes, abrir a goela e ver Deus nas savanas do Eterno. Se for preciso, fazer morrer, diante de Narasimha chamar a proteção e agradecer por ter seu umbigo aberto pelas garras do leão e rir com a guirlanda da matéria em volta de sua juba. Renascer. Nós estamos juntos nessa experiência da transmutação. É premente adentrar o grosso com o feixe de luz mais elaborado, irradiar a potestade de seu canal e trazer ao sutil a alquimia de seu ser. Atman, Eu Divino, Eu Sou, Ser Crístico, Ser Búdico, Ser! Para ser, se proteger. Saúdo minha coroa com o amor de milênios, vou aprendendo e não tenho mais tempo de parar. Quando acham que eu paro, eu contemplo. Mas me permito ao movimento. Vibramos, somos átomos frementes a libertar nossas frequências. Abre para o que é bem as comportas de sua luz e encerra o seu templo para aqueles que querem destruí-lo – mas se assim for, coloca bem na porta, do lado de fora, uma chave secreta, que em uma intenção certa poderão decerto abri-la se juntos estiverem à Verdade. É só querer. Nasci e renasci para dar a mão e peço desculpas quando não consigo. Me treino acrobata sabendo que se caio, voo. Se bato no chão, renasço. Tudo está certo, somos eternos. Performar criando zonas de contato, pra entrar no abismo do outro e cair em si. Em meu circo, quando tudo pega fogo, a lona vira pó e é possível ver o céu estrelado. Daí nem domo mais leão, deixo correr, como eu, rei de mim, servo do todo. Corro até bocejar. Quando simplesmente bocejo, já equilibro minha energia no todo. Pra olhar no olho e dar a mão é preciso se imantar com intenção. E tudo é trabalho. Dar a mão a mim, a minha criança, ao meu velho, saber que o mesmo rio que nasce lá é o mesmo rio que deságua no mar; não há tempo. Lavar-se nesse rio. Lavar a cabeça e o coração. O coração deve estar puro, seu presente ao divino. Não permitir que ele possa ficar sujo é o maior trabalho, para dar de presente o melhor, ser presente, aqui e agora.


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