terça-feira, 22 de março de 2016

Moinho



O mundo é um moinho. Mas nem todo moinho precisa ser combatido. Diante de um campo de tulipas, num outono laranja, enquanto folhas caem na apoptose da vida, ali está o moinho. Simples, forte, constante. Eu prefiro sentar ali e sentir o vento, deixar meus pensamentos irem embora em boa hora e ficar a sós comigo mesmo. O moinho gira e me lembra um relógio, mas não marca, não evidencia a matemática dos números; ele apenas gira, é o tempo de contemplação, sem preocupar. Não serei um herói caduco a enfrentar o que também pode ser poesia, a mente tem que ser destinada ao sutil. Me questiono, me posiciono e deixo ventar. Ele ali está pra isso, gerando força pra moenda, motriz, motor do instante, trabalhando à serviço, filho de Oyá.

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