A vida não passa rápido. A gente que se acostuma. Dizem pra fincar raiz com tudo, mas nunca ensinam a desabar a árvore. É um aprendizado de momento, mas que se prepara também previamente. A árvore, em sua potência, já sabe subir, ser celular coletiva, obediente e constante. Faz parte da sua constância virar adubo, lar de cogumelos, ser matéria para o novo se fazer. E é este o ensino. Apenas fazer, mas não um despropósito. Fazer potente, lar de Deus: ser. E deixar de ser sendo. Desacostumar. Essa é a chave do parar o tempo. Quem para o tempo, ganha do tempo. Não se acostumar com a vida, deixar tudo sem medo, partir para partícula renovar. A vida passa e só. A vida nunca morre, tudo se transforma, se transenergiza.
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Miro:
Um vale de um cânion vasto, terra em níveis, grande buraco. O por do sol tinge tudo de rosa. Fim de tarde. Me lembra Marte, uma paisagem arenosa. Um deserto em paz. Quando vejo, estou ali, olho ao lado, na frente, atrás, pessoas esparsas, bastante gente, mas que não faz volume. Até parecemos poucos. Uma aqui, outra ali, outra acolá. Cada um na sua. Todos quietos, em silêncio, olhando para a mesma direção, para o além desse grande buraco. Um ser, uma cabeça gigante aparece neste lugar e revela que fomos convocados para estar ali. Esse ser com ares nobres, turbante, surge não tão material, mas é bem visível em sua energia. Tem uma barba curta, olhos verdes, talvez. Ele nos fala brevemente sobre o momento de transição da Terra, que buscam soldados prontos, para isso ali estávamos. Ele nos solicitou a missão de vibrarmos na corrente do amor. Mas não somente isso. O amor como uma arma poderosa que, utilizada, imobilizaria intenções adversas facilmente. Amor como energia de cura, para domar qualquer mal que viesse do outro, qualquer situação. Essa arma era potente e estávamos habilitados para usar ela. Mas para usar, saber distinguir, o que realmente é o mal. Habilitação concedida para o poder.
E ele nos disse: -Vocês que vivem se enredando em padrões e hábitos, pois é da natureza da mente de vocês, devem utilizar o amor como um vicio, como competição, como um jogo. Assim, a mente entenderá que não há espaço para outra coisa. Jogue consigo mesmo, faça o bem virar a chave única de energia. Use essa arma do amor também contra vocês mesmos. Não parem de jogar.
Depois sua cabeça flutuante fez como um gênio da lâmpada desaparecendo, ou como um balão de gás escapando o ar: foi diminuindo e rapidamente, em um rastro energético, se recolhendo para dentro da terra.
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